A vida muda na mesma velocidade que acaba, a cada dia temos menos tempo para tudo, esse mesmo tempo imposto por nós na tentativa de controle da vida, esse mesmo que hoje tras um desespero imensurável por sua passagem rápida, desespero ainda maior quando pensamos que ele para. E essa passagem rápida do tempo era uma constante para Ninguém, o tempo para ele passava rápido demais, mal dava para resolver os pormenores do dia, esses se acumulavam para o outro e sempre acontecia a mesma coisa.
Amigos, família, vizinhos, eram apenas perda de tempo, tempo esse que já estava escasso, trabalho, trabalho, trabalho. 'o tempo foi feito para isso, se não, apenas tenho para ele', dizia. Seus amigos até tentavam, mas de nada adiantava, seus familiares já sabiam e por isso se acostumaram. Quando chegava do trabalho em casa, cansado, ia logo dormir, descansar para trabalhar novamente no dia seguinte. Durante o sono sonhava, sonhava com aquilo que não tinha coragem de revelar, fazia planos para a vida, vivia em um lugar isolado, uma cidadezinha pequena do interior, onde o tempo não passava ou não era percebível sua passagem, onde o trabalho era para subsistência e admirar a beleza da natureza com os amigos a beira da lagoa era a melhor coisa da vida.
Nos sonhos Ninguém se libertava, era uma vida paralela rodeada de desejos. Quando despertava ele guardava seu sonho em uma sacola e jogava em algum canto do inconsciente, esperando sonhar novamente com ele no outro dia. Sonhava em mudar sua vida, mas não acordava com o mesmo pensamento.
Religiosamente todos os dias a mesma coisa, antes de dormir buscava essa sacola onde guardava o maior tesouro da sua vida. Em um dia em que chegou precisando muito fugir da sua realidade procurou desesperadamente a sacola onde havia guardado seus sonhos, sua vida paralela, sua felicidade, mas não encontrou.
Depois desse dia Ninguém nunca mais dormiu, Ninguém nunca mais sonhou.
Por: Bruno Mota
Fonte: Revista Badalo

2 comentários:
Achou a senha hein? ehehee
bem conveniente..
Ê vida de mentira... felicidades!
Olá Rodrigo, tinha anotado em um caderno antigo, fiquei feliz em ter acesso ao meu blog novamente. Não entendi porque tanta desconfiança se não existe interese em deixar meu blog desatualizado.
;)
Postar um comentário